Mensagens

Diário de um espelho partido...

Subiu e desceu uma, outra, e outra vez. Já sem fôlego continuou a calcorrear quilómetros, sem sair do mesmo espaço limitado do seu degrau. Não se permitiu parar para descansar. Enquanto as outras se deixavam cair no chão para recuperar a respiração, ela, já tonta, convencia-se de que o mundo é que estava a andar à roda, não os seus olhos, já desiquilibrados, a queriam fazer parar. Porque nada na sua cabeça lhe dizia que devia parar. Tinha de continuar, e não parecia difícil, embalada que estava pelo ritmo, imersa naquela jiga-joga que repetia uma e outra vez, como se não pudesse evitá-lo. E quando por segundos lhe ocorria que não aguentava mais, forçava-se a olhar para instrutora. Instruía-se mentalmente a focar o olhar já turvo naquelas curvas perfeitas, que nem Deus nem os seus pais tinham criado sozinhos. Ela sabia que um corpo tão bonito tinha que ser fruto de muito exercício, e de não comer, claro. Porque só quem não come é que pode ser assim tão perfeito. Bastava isto para que, n...

Falling Bubble... ( queda de uma bolinha de sabão)

Imagem
Sob o silêncio de uma promessa partilhada (enfim cumprida e arrumada numa gaveta empoeirada e emperrada que não se pretende voltar a abrir), não caem lágrimas. Um ciclo, uma tempestade que se encerra na terra, a molha e a abandona. Tanto tempo passado. Nada mudou. E no entanto nada, nunca mais, será aquilo que um dia foi. Custa encontrar palavras para descrever o momento, rápido e solene, tal como custou encontrar forças para chegar até ele. Levantaram-se as mãos e ergueu-se o mundo. Tinha de ser feito. O ciclo. Tinha de ser encerrado. Com o simples gesto de acender uma vela, cumpriu-se a promessa. Encerrou-o da sua vida. Para agora poder continuar... Não é nenhum bebé, mas fê-la sentir-se sua mãe durante muito tempo. Não mais, agora... Só assim restou algo de si para continuar... Para este post, escolhi propositadamente a fotografia menos bonita de uma bubble . Encontrei uma falling bubble . Nem de propósito... Errada? Talvez. Mas mais feliz, agora. It's the circle of life... So...

With my own two hands... (com as minhas próprias mãos)

Imagem
Não se esperam dias fáceis para nós. Pois não... mas prefiro estar de carro avariado na berma contigo... Como uma mulher grávida que ama o bebé que tem dentro de si. Porque as dificuldades podem ser muitas... mas eu posso mudar o mundo com as minhas próprias mãos, e torná-lo um lugar melhor, mais amável. Posso trazer paz à Terra, limpá-la... com as minhas duas mãos. E com elas, posso chegar até ti, alcançar-te. Com elas vou abraçar-te e dançar contigo, vou agarrar-te no sorriso com as minhas duas mãos... e confortar-te, para que não te sintas nunca vazio. Só tens de usar as tuas duas mãos também... vamos mudar o mundo* (a inspiração nasceu nesta música linda do meu fantástico Jack Johnson, em dueto com o também fantástico Ben Harper)

Alma encharcada... sonhos encolhidos

Imagem
Alma encharcada... Os olhos a arder, vermelhos e quentes, da vontade de chorar reprimida. É incrível, a capacidade do ser humano de fingir, de segurar um sorriso tão balançado no rosto - a nossa capacidade de o fazer parecer real . Estar-se inundando por dentro, e ninguém se dar conta dos estragos. Porque conseguimos escondê-lo por detrás de um silêncio empático, de quem ouve as histórias alheias com uma atenção devoradora. Dizer que sim, acenar, e encorajar as grandes cruzadas feitas pelos outros, enquanto simultaneamente se vagueia por dentro de si mesmo, a lamentar a tempestade que vai lá por dentro. As cheias chegaram, nas pontas dos pés, em surdina, fazendo estragos que nos levaram a alma. E lá dentro ficou um buraco que só se consegue preencher com a ausência de pensamento. Com a apatia de um sorriso vazio. O medo de se perder o castelo de areia. Que tantas horas ao sol levou a contruir. Sabermos que pode não ser eterno. Mas que gostamos tanto de viver nele... E de repente senti-...

Diário de uma empregada/confidente

Imagem
Ela ainda se deve lembrar da cara dele, toda torcida diante da sua, disposta a tudo para lhe arrancar um beijo. Horas e horas, juntos no café que era só deles, no cantinho deles, com a torrada partilhada e os triestinos, numa rua esquecida de Lisboa. Conversavam de tudo, ele e ela, tentando disfarçar aquele desejo de se beijarem. Não podiam... mas ainda assim... as caras coladas, a olharem-se no fundo dos olhos, à espera que o desejo deixasse de os querer juntar, ou que a força de vontade para o impedir desistisse. Lembro-me dos olhos dele, atentos e deliciados, a sorrir para ela com um jeito único que a fazia corar. Não pedia nada com palavras, a não ser estar perto, bem pertinho dela. E ela dizia que não, mas já a sua cara se inclinava na direcção dele, dizendo o contrário... Pergunto-me quantos minutos terão passado juntinhos, a olhar a boca um do outro, a pedir magia que os juntasse sem consequências? Quantos roçares de lábios fingiram eles que não aconteceram? Quantas respirações...

Diz o abraço...

Imagem
Hoje estás triste. E assim eu estou triste contigo. Os dois de cabeça baixa, ouvimos as tuas lágrimas a caírem no chão. Elas fazem eco nos meus ouvidos, que me fazem repetir-te as lágrimas. Às tuas iguais, nos meus olhos. Choro contigo. Abraço-te, porque sei que é o único bálsamo. "Estou aqui". Diz o abraço. Apertado. Presente. *** Deixamos passar. Os minutos sem os contar. E a fúria da dor acalma-se em ti. Levanta a cabeça. Olha em teu redor, para veres o que estás a perder. Talvez as ausências que sentes se devam apenas ao facto de fixares os olhos no chão, em vez de olhares para a frente... Sei que chove dentro de ti. Mas à tua frente vive um dia bonito. Vem vivê-lo comigo! Vamos olhar juntos na mesma direcção. Vamos partilhar o pôr-do-sol. E talvez possas sorrir. *** Se mesmo assim não conseguires levantar a cabeça não faz mal... Eu levanto-a por ti e vou contar-te tudo o que estou a ver, para que não percas nada... (inspirado num texto que li há muito, de autor desconhe...

Algumas pequenas delícias que me fazem rir...

Imagem
Algumas coisas que me provocam inevitavelmente a gargalhada... Reparem no desespero do cão, e na "manha" do gato... e aqui, reparem na doçura traquina deste gatinho, e a paciência deste cão...