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Café & Cacau...

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Cacau e café... hum, enrolam-se na língua como dois amantes, deixam um sabor quente que jamais se desmancha. O aconchego do café e a suave textura traquina do cacau, ligam-se como duas mãos. É impossível parar de querer mais desse "colinho" de sabores, que nos invade sem pedir e nos regala por dentro. O café é forte, o cacau é doce... juntos são um turbilhão para os sentidos que, atordoados, se deixam embalar... O universo dos sabores faz magia! Somos marionetas dos sentidos, vivemos para sentir, sentimos para viver... enfim, o aveludado sabor desta mistura adormece-nos lentamente os sentidos para o resto do mundo de sabores... Hum... mas tu e eu... tu e eu somos café e cacau. A questão agora é: quem é quem?

Agora que é noite...

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Fecha os olhos, agora que já é noite. Porque não há raio de sol que possa incomodar o teu doce passeio espiritual... não há fiozinho de luz que possa penetrar nos teus olhos e interromper a tua meditação. Aproveita agora que há sossego à tua volta, para poderes interiorizar esse silêncio, salpicar a tua alma com ele e dele fazer a tua oração, o teu grito. Vira os teus sentidos para a Natureza... descalça-te, e caminha como se pisasses o coração da Terra. Olha vezes infinitas para o horizonte, que infinitas vezes encontrarás algo de novo para amar... Conta as estrelas, e não te canses nunca de contar a mesma outra vez... uma, duas, três vezes. Chama-as pelos seus nomes, e ouve-as responder com o palpitar do seu brilho... às vezes, o céu parece uma mesa comprida, à qual não vês o fim... está coberta com uma toalha de um azul profundo, e é iluminada apenas por pequenas velas! Pensa no vento como alguém que abre os braços para te erguer lá no alto, e te segura, para te dar a sensação de qu...

Wicahpis

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Havia poesia nas gotas de água que brilhavam nas pontas do teus cabelos, depois de mais um mergulho... pendiam lentamente no escuro do teu cabelo, cintilando como estrelas! E quando estava deitada a sentir o sol na pele, abria os olhos e virava a cabeça para te olhar. A sensualidade do teu corpo estendia-se ao longo da toalha, ali, a segundos de mim. Respiravas calmamente, como um bebé acabado de alimentar e de adormecer nos braços da mãe, enquanto a ouve cantar uma canção doce. E o azul do céu, tão vivo, só terminava nas linhas da tua barriga... pelo menos aos meus olhos deliciados. De repente, uma nova luz nascia. Eram os teus olhos que se abriam para mim lentamente, confundidos pelo sol, mas já a deixar adivinhar um sorriso só para mim... Os teus olhos são banhados por um verde mágico, misturado com a suave cor do mel de que és feito... A tua boca em forma de coração faz-me sonhar... só de imaginar esses beijos de algodão macio, tudo em mim palpita e vibra como um comboio a vapor! E...

Pombinha sem fel...

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Sentada na lua, baloiçando os pés Hoje não sou ser humano, sou um pássaro Voando nas asas do silêncio, procuro Abrigo da dor que chove dentro de mim. Brinco às escondidas com a minha mágoa Escondo-me nas nuvens, no tempo a passar Fujo de conversas como criança Choro, rio, mas contenho-me. Oiço a melodia de uma baleia Do mar, o vento a traz até mim É o ritmo da eterna esperança Ilusão que não chega, isso sim. Nado no oceano do tempo Que corre como a água de uma cascata Quem não mata a sede da vida esquece Que depois da vida vem a morte. Não caias, dá-me a tua mão Agarra-te à verdade, não à ilusão Deixa os olhos serem guia, não o coração Ou o sonho dormirá de eterna distância. São lágrimas que correm enquanto deito Estas palavras em que não acredito Ao vento que as leva e as não traz O mesmo que levou o meu anjo... para um sono eterno.

Abraço das estrelas

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Abre-me as asas... agarra nas suas pontas e estica-as, como a um lençol branco que retém o ar em forma de balão... sente o vento a demorar-se nelas, a fazê-las dançar. Vê-te reflectido na minha alma, vê a minha sombra desaparecer como a noite se esfuma com o raiar do dia. Ouve a canção que os meus suspiros entoam em sinal de prazer, só de saber que amanhã o sol volta a nascer e a pôr-se em mim! Vê-me crescer ao alcance do teu olhar, agora que a metamorfose dos sonhos passou por mim. Ouve o dia a debruçar-se sobre mim, a abrir-me o céu para as loucuras do meu coração! E se esta noite formos céu, lua, infinito? E se conversarmos até que raios de luz venham interpor-se nas esferas dos nossos bafos? O quanto eu tenho crescido e aprendido contigo... Sonha... pega num pó de estrela e lança-o no ar, fazendo comichão nos narizes, fazendo sorrir! Vamos passar borracha nas lágrimas, ou então usá-las para regar... Dá-me a mão. Sim, agora somos nuvens, com tempo para descobrir caminhos. O vento ve...

O mundo todo de novo...

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Não sei se haverá amanhã capaz de me fazer levantar. Não sei se as nuvens que marcham vêm mesmo para ficar. Porque o dia é uma noite Dura e fria de se caminhar Quando o caminho que queremos São dois, e temos de optar... Sei que aqui chegaste em demasiado calor envolvido com medo, mas sorrindo tornando o dia mais teu como a lua que se senta no céu e o sol que se deita no mar. Encontraste o teu lugar No coração onde vens morar E sem vergonha gritas: Ficas bem no mundo, ficas! Há beleza na forma como olhas o mundo, como se fosse novo. Tocas com ingenuidade nas folhas E nos picos que te farão sangrar de novo... Mas é de novo a primeira vez Em tudo o que vês Tudo é mais puro ao pé de ti E não há forma de fugir, assim Ao encanto que me lançaste À paixão que declaraste E da qual tento fugir Sem nunca conseguir...

A Bela Monstra

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Vou partir... para um lugar longe de mim. Algures num cantinho longínquo deste mundo, há um chão que me aguarda a caminhada. Não vou contar-te onde fica, nem como chegar lá. A última coisa que vou querer é que me procurem, menos ainda que me encontrem... Quando desaparecer, já sabes que estou feliz. Longe de luz lunar que me ilumine, deitada no leito da Cassiopeia, a observar a família de amores da minha vida, que são todos vós a quem amo tanto! Num porto de abrigo longe da vida que aqui levo... Num horizonte que já fez alguns apaixonados sonharem... Num pedaço de céu que muitos atravessaram, somente com o olhar... Num intervalo entre duas estrelas... É onde eu vou ficar. Vou esperar... e quando já todos se tiverem distraído da minha loucura, vou fugir. Quando o som do pôr-do-sol entretiver todos os olhares, vou bater as minhas asas e rumar ao horizonte, onde me espera a liberdade. Enfim... Quando não estiveres a olhar-me, e quando houveres baixado a guarda... vou fugir-te. O meu coraç...