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Enfeites do céu

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vês o mar? as ondas vêm morrer aos nossos pés... a espuma, até ao limite das suas forças, esbate-se em desenhos arredondados de sal, areia e água. o sol faz espelho, reflectindo-se na pele molhada da beira-mar. pedrinhas e conchas dançam, com o movimento das ondas e da luz, quais estrelas caídas do céu e agora enterradas na areia. cúmplices, espreitam, deliciadas e escondidas, os lábios das ondas e da areia a brincarem, eternamente separando-se e fundindo-se. que bom estar aqui sentada, entre o fresquinho do mar e o morno da areia. há poesia no horizonte, enquanto o sol se despe sobre ele. larga toda a sua roupa, espalha-a ao longo da linha erguida sobre o mar. o som das ondas do mar me embala fecho os olhos... ... a natureza está à minha volta envolve-me com os seus cheiros, cores e sabores (sorriso) já não preciso de fugir basta ensaiar os sentidos e deixá-los vaguear porque há mar, há amar, há ir e nunca mais voltar...

Boa noite, estrelas...

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Ainda ontem me doía tanto... tudo. Criança agarrada a ela e a si mesma, entregue à responsabilidade única de sonhar. Tudo magoa, quando só nos pedem que sejamos felizes. Um pequeno favorzinho fora de contexto destrói o seu castelo à beira-mar, construído com orgulho próprio, muita areia e algum egoísmo inocente. Agora... agora pareço uma sombra desmaquilhada de sabores e sentires, despenteada pelo vento errante que sopra e me arrasta para fora da minha rota... de mim mesma. Mas nem dou por isso... As minhas lágrimas nunca foram tão salgadas; acho que são as minhas saudades da praia. Do céu estrelado, cheio de pontinhos de luz, cada um a prometer um sonho diferente aos nossos olhos. Daquela praia do paraíso, que descobri num cantinho muito especial da costa. Da hora de deitar do sol, que todos os dias me surpreendia com renovada beleza. Da areia, sempre pronta a acariciar-me a pele morna do sol. Da rocha, camarote privado e privilegiado para assistir à dança sensual das ondas, ao erguer...

A(s) Quatro Estações

Há dias em que simplesmente apetece não existir. Não estar. Quando tudo o mais parece falhar, também tu falhas. Estás ausente, ignoras, foges. Sinto-me o espelho de um quarto vazio, o beco de uma escada sem degraus... porquê? Porque quando chamo por ti, tu mudas de nome. Entro em desespero com as brigas, que parecem rodar à volta dos mais insignificantes temas; confesso: se ouvisse de fora algumas das nossas conversas acho que iria soltar algumas boas gargalhadas. Soltamos as crianças que vivem em nós, deixamos que usem as palavras como bolas de neve, que atiram uma à outra com toda a sua força... incessantemente, sem deixar o outro acabar de falar. Conhecemos os erros do outro, em errante confiança: usamo-los como escudos de protecção. Em momentos de guerra tudo serve como arma de arremesso, não é? Mas o maior erro é que essa "confiança" gera desconfiança, e acabamos por não conseguir proteger-nos de nós mesmos. Os filmes nascem, crescem e alimentam-se da nossa sanidade ment...

Os Humanos...

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Simplesmente fantástico! Sem dúvida, o melhor concerto a que jamais assisti! E devo adiantar que o meu lugar nem era dos melhores... encontrava-me na primeira plateia, já na fila I. Mas assisti como se estivesse em cima do palco a viver aquele espírito em directo com a (louca) Manuela Azevedo, o (fantástico) David Fonseca e o (imponente) Camané, sem esquecer também os quatro fantásticos músicos que os acompanham! Perdi-me nas suas vozes, cada uma mais bela que outra, nos jogos de luzes, nas imagens complementares que rodavam em telas sobre o fundo do palco... e a música! A magia daquela simbiose de ritmos, tão fortes que tocavam directamente o coração! As letras (obrigada Senhor António Variações) causam turbilhões de emoções... posso adiantar-vos honestamente que tão depressa estava a rir à gargalhada, a cantar e a balançar-me ritmadamente na cadeira, como estava a chorar "baba e ranho", a abanar-me lentamente... O meu muito obrigada a este conjunto fantástico de artistas q...

Ele pede... amem-se

Podia dizer tanto ao mundo... porque há tanto que ninguém sabe... só tu e eu. Descobri o porquê do céu não ter limites... descobri o porquê de ser azul. Descobri porque é que o mar tem em mim um efeito de calma, harmonia e transcendência. Quando olhamos o céu, percebemos que o seu azul não acaba ali... estende-se ao infinito de um universo que tanto admiramos, pelo facto de não o conhecermos. E ele é infinitamente belo para permitir aos amantes como tu e eu subir cada vez mais alto nos seus sonhos, e nunca parar de sonhar. Ele existe assim... sem limites, para nos inspirar a amar para sempre, sem limites, tal como ele... Ele é azul para que as pessoas como tu possam sobressair como estrelas, de cada vez que brilham... como uma pérola no meio do oceano! Ele é azul para que as pessoas como eu não te confundam com um ser normal e se apercebam do milagre de vida que tu és! O mar tem uma capacidade de me harmonizar... Porque ele não é mais do que as lágrimas que tu choraste durante anos, de...

Stella...

És fruto de um amor tolo... jovens apaixonados, querem consumar verdades no corpo como as sentem na alma. E para isso não pensam... Mas não nasceste nua, pelo menos de sentimentos. Nasceste vaidosa por saber amar. Cresceste espalhando como semente no vento a vontade de perdoar... Acabavas com o silêncio mexendo os lábios sem que deles saísse qualquer som... Trocaste a revolta tocada nesses olhos negros por rebeldia em amar a tudo e a todos. Rebelde em seres tu, teimosa em seres apaixonantemente diferente. Deliciosa nos sorrisos que dedicas, maravilhosa a forma como a natureza te agraciou com traços marcados de pura mulher, em pura doçura de agradar aos homens... mas não pediste a ninguém que te roubasse o coração, pois houve sempre alguém que o teve. A liberdade. O amor que havia reservado em ti para o partilhares com teu homem ideal, nunca o guardaste. Soltaste-o sempre nas ondas do mar, revelaste-o em cada gargalhada, amaste-o em cada mão estendida para ajudares alguém. Despiste tua...

Foi tal e qual como pensei...

Sim, os Santos revelaram-se, de facto, uma noite fantástica! A alegria é contagiante! Posso dizer-vos que quando lá cheguei (por volta das seis) o dia ainda brilhava, e os pequenos pátios de Alfama albergavam ainda e apenas os atarefados organizadores da festa popular. Tão engraçado, observá-los... pareciam formiguinhas trabalhadoras, a transportar caixotes, "bidons" com bebidas e gelo... e uma meia dúzia de visitantes "madrugadores" observavam este verdadeiro ritual com curiosidade e um sorriso no canto da boca. Em alguns cantos já se cheiravam os couratos e as farturas, mas reinava sobretudo o cheiro das grelhas a aquecerem! Inesquecível, o murmurinho dos preparativos, os cheiros misturados no ar a fazer adivinhar a noite agitada, a azáfama, o cantarolar baixinho das pequenas multidões, alguns rádios a aquecerem já o ar... E quando a noite de facto chegou, deixámos de poder ver o chão! Posso dizer que caminhei (literalmente) sobre muitos pés... porque simplesment...