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Ainda acredito...

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Deixo-me dominar pela sensação de que uma cara maquilhada, um cabelo loiro bem tratado, embora artificiais, são imagens bonitas. Saio à noite e vejo jovens com mais promessas do que roupas vestidas. Muitas se abastam de confiança (numas mais transpirada do que noutras) e atiram sorrisos à noite povoada dos mais variados intentos. Vestem-se de moda, muitas vezes mais do que vestem o que faz sentido nelas. Cheias de si, penso eu. E que bom que isso deve ser. Múltiplas cabeças se viram perante pernas despidas e cabelos claros. Em especial os esticados. Mal imaginam os homens a chatice que dá; o quanto estraga o cabelo! Mas continuo a perder mais tempo a admirar uma cara lavada. Uma pele bronzeada do surf, um sorriso bonito e um cabelo natural. Uma covinha na face, uma mão de dedos longos, de unhas limpas. E a confiança natural de quem gosta de si. Sem capas. Sem artifícios. Sem meias verdades. Há apenas verdade, num rosto que já acorda bonito. Nu...

Só agora...

Só agora consegui sentar-me aqui, a olhar para dentro. Até aqui o ritmo da casa não o permitiu. Nem as pessoas à minha volta. A preocupação com quem não se está a sentir bem. Nem os telemóveis ou semelhantes formas de comunicação... Tudo isto porque não tenho um espaço para mim. Uma casa, um quarto (pelo menos não verdadeiramente, embora o tenha literalmente), um recanto. E também porque não sei impôr barreiras. Deixo que sejam invasivos, que ultrapassem os seus limites e se acomodem confortavelmente em cima dos meus. Continuo a sonhar com esse cantinho, que nem na minha cabeça consigo desenhar. E depois atinge-me. Porque é que nunca estás contente com nada? Passo mais tempo a pensar nas coisas tristes. Tenho mais ataques de mau humor do que bom humor. Agora que encontro espaço nos silêncios que invadiram a casa, e a minha cabeça... dou ironicamente por mim a não conseguir pensar! À medida que os barulhos corriam e me atropelavam, dia fora, eu só pensava em trancar-me a escrev...

Acontece que te amo

De quando em quando, dou por mim a ser uma besta! Hoje apercebi-me de mais um desses meus actos, quando olhei para os teus olhos verdes maravilhosos raiados de vermelho, e percebi que tinha sido eu a causa da tristeza que saltava da tua alma e te repicava o rosto. Era a mim que se devia a dor no teu olhar. E quando teimei em dizer que te amava tal e qual tu és, desviaste o olhar, como se não acreditasses em mim. Nessa altura percebi o animal que sou, ou que consigo ser. Porque ando tão preocupada em te espicaçar para seres mais feliz, para fazeres coisas novas, para não te acomodares, para lutares por ti, que fiz com que tu começasses a sentir que quero mudar-te, que quero transformar-te em algo que tu não és. E que não te amo pelo que tu és na verdade. Mas eu amo-te, tal como tu és, tal como te conheço... posso provar-to? O M. que eu conheço é preguiçoso, é noctívago, gosta de perder tempos infinitos com jogos e tem a mania das rotinas. Passo a vida a refilar conti...

Com todo o respeito.

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Dá para fechar os olhos. E procurar aquele cantinho dentro de mim onde existe paz, onde há apenas espaço para mim. As ondas vão batendo. Querem levar a sua avante. Deixo-as pensar que assim será. Deixo-me boiar, o tempo suficiente. Deixo que a maré me dê boleia até onde eu planeio ir. E nessa altura, agarro-me às rochas e escalo, de um só fôlego. Com toda a força que armazenei enquanto esperava. Sei que estou de pés descalços, pois sinto com naturalidade os pés a adaptarem-se às rugosidades. Sinto o cheiro a mar, como se fossem gritos seus nas minhas costas. Sem hesitação, ergo-me com as mãos e a impulsão das pernas, cada vez mais fortes. Alcanço o meu lugar. Aquele que escolhi para mim. Com todo o respeito, ondas. Mas já chega de brincadeira. Está na hora de começarem a deixar-me levar o barco...

Ele veio visitar-me...

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Hoje, o sol veio visitar-me. Escondido do resto do mundo, viajou por entre árvores, casas e ar. Estendeu como braços os seus raios até mim, através da janela que me prendia. Acariciou-me a cara e disse-me sem palavras, claro como um telegrama: "Tem esperança. Amanhã será melhor". Da mesma forma que os momentos maus nos deitam abaixo, também nos mostram que estamos cheios de amor à nossa volta. Que temos forças e que vamos conseguir levantar-nos. A minha canção hoje é de esperança. Sabendo que o pior ainda não chegou. Mas levanto a cabeça. Anda lá, dá o teu melhor para me mandar abaixo. Eu vou dar tudo o que tenho para te ver desistir.

Não sei quando me perdi...

Não sei quando foi que me perdi, na minha vida, de mim própria. Não sei quando foi que o meu corpo aprendeu a rejeitar-se, que deixei de conhecer a orientação para os meus próprios passos. Não sei também quando deixei de ter vontade de olhar para mim própria. Ou onde deixei a vontade de sorrir... Sei que hoje dou por mim a procurar mapas para um sítio que aprendi a desconhecer: a minha própria paz. Sinto-me encurralada. À minha frente , está a caixa de Pandora, que agora se abre e desvela coisas enegrecidas, distorcidas e contorcidas saindo de dentro de mim. Dizem que a terapia é isso mesmo; uma espécie de purga. Assim me sinto, purgando a toda a hora, em pesadelos complexos e confusos, em todas as horas acordadas do dia, onde sou abalroada por comboios de pensamentos dolorosos, duvidosos e inseguros sobre mim, sobre as minhas acções. Continuando esta interessante metáfora, sou encostada à parede, de ambos os lados , pelas relações que se complicam, desligam e colidem. Sinto, em tod...

A necessidade premente...

... de escrever. Os dedos a precisarem de desentorpecer, a mente a querer perder-se no seu mundo (é o único sítio onde consigo estar realmente sozinha!). E nada. Simplesmente não sai, como uma torneira emperrada que se recusa a deixar sair uma única gota de água. Alguém sabe como se faz? Para olear a máquina e pôr isto a andar? É que esta coisa do sonho de escrever livros tem de começar por algum lado...