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Hoje apetece-me sonhar. Ponto.

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Hoje apetece-me olhar para o céu azul, cheio de luz, e pensar que sou capaz de chegar tão longe quanto eu quiser. Basta esticar bem as mãos. Hoje apetece-me rir antecipadamente das vitórias que virão, acreditar que da minha luta resultarão frutos. Frutos doces e cheios de sumo. Hoje apetece-me pensar que vou ser surpreendida pela sorte, abençoada pelos dias e empurrada pelo vento. Não muito, não sempre, mas o suficiente. Hoje apetece-me sonhar. Sonhar que vou encontrar uma porta ou uma janela aberta, ainda que tenha de procurar. Mas que ela estará lá, de fio de luz pendurado, em jeito de campainha, a servir-me de sinal. Porque hoje também me apetece, mais do que noutros dias, acreditar que existem sinais; que o nosso caminho é por nós decidido, mas que podemos escolher dar atenção a pequenos "sinais" que nos levarão por rotas que o destino nos vai desenhando e redesenhando. E hoje apetece-me sonhar que este destino me irá levar a um lugar diferente (talvez outro país), onde ...

Gosto de...

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Gosto de dias frios cheios de céu azul e sol. Gosto de viajar. Gosto de cães. Gosto de gatos, cavalos e bichos em geral. Gosto do calor e união criados pela lareira. Gosto do silêncio. Gosto do lusco fusco. Gosto do frio na barriga, quando vou finalmente matar saudades. Gosto de conversar com alguém que acabei de conhecer. Gosto de andar de pés descalços. Gosto de mãos dadas. Gosto do cheiro a terra molhada. Do cheiro a lareira e do cheiro da cama lavada. Gosto de vozes bonitas. Gosto de ronha. Gosto de chuva, quando não tenho que sair de casa. Gosto de dormir, gosto de acordar tarde. Gosto do cheiro de Espanha cá por casa. Gosto do conforto da tua companhia, até no silêncio. Gosto das madrugadas frescas na pele. Gosto de dançar, e de cantar. Gosto do mar só para mim. Gosto de festas no cabelo. Gosto do jeito descontraído que me provoca um copo de vinho. Gosto de sorrisos e de gargalhadas. Gosto de provocá-las. Gosto do vento na cara, quando o corpo está aconchegado. Gosto de retiros n...

O medo de qualquer coisa

Acordei mais cedo do que aquilo que o corpo pedia. Porque o pai queria desfazer a árvore (afinal, ontem foi Dia de Reis!), tinha de ser hoje e tinha de ser de manhã. Ok, até aí tudo bem, fez-me bem porque me senti mais activa. (Tirei todos os enfeites. Depois as duas fiadas de falsas pérolas. Em seguida, o set de luz das velas e a primeira fiada de luzes brancas. Entretanto retiraram-se todos os ramos da árvore (sim, eco friendly tree) e arrumaram-se na caixa, para poder por fim retirar a fiada de luzes azuis, mais encostada ao tronco central.) Arrumada a árvore na devida caixa e transportada para a garagem, foi tempo de aspirar a sala toda da lixarada que se fez (e a que não se fez, também). Caixote da gata, comida e água da bicha, aspirar areias e pêlos do corredor. Duas horas a engomar, com almoço e café a correr pelo meio. Arrumar a roupa engomada. Hora de respirar fundo. Sento-me de pernas cruzadas em cima da cama, onde me deleito com o toque da colcha nova de cornucópias, absolut...

Sem espaço

Ao debruçar-me sobre o envelhecimento, sobre a mudança e sobre o tempo, questiono-me. Será que ainda vamos a tempo? De afogar medos em charcos seguros, de embalar leões com música e de enganar rumos quebrados? Será que somos mais fortes do que isso, ou é mera ilusão a possibilidade de sermos felizes não obstante o tempo, as horas e o conformismo? E não obstante também os encalços que havemos de seguir, porque os nossos pais seguiram, os mais próximos também o fizeram e os filhos dos outros o hão-de fazer também? Gostava tanto de encontrar paz no barulho, de encontrar sentido nestes labirintos de coisas e de sentimentos, de os poder separar como o trigo do joio, o que é meu e o que não é. E ser capaz de guardar o que é meu e esquecer o que é dos outros por um instante. Um instante que me permitisse arrumar, rotular e encaminhar as minhas coisas. Para poder afirmar caminho em vez de o arrepiar, como tenho vindo a fazer. Encontro prazer no cabelo lavado e macio. Encontro prazer ao saborea...

Cheia...

Apetece-me cantar. Cantar até chorar, aquele choro de criança que nos limpa por dentro como mais nada. Não quero mais ser uma criança perdida. Mas antes uma pessoa, ou uma mulher encontrada! Preciso de silêncio, cada vez mais. Porquê?! O que é que me está a acontecer, o que é esta sobrecarga, este sentimento de não suportar mais nada? Nem mais um som, nem mais uma pessoa... Porque é que só encontro a paz estando só? Estando em silêncio umas vezes, outras vezes imersa em música, mas no meu mundo? Preciso de cantar... preciso de escrever. De pôr tanta porcaria cá para fora, não sei onde é que arranjo tanta coisa para purgar!! Queria rever o meu sorriso... dizem-me que me esforce. Eu procuro, perscruto o espelho, mas nada. Como uma gaveta funda e cheia de tralha, este espelho não me devolve essa memória de mim. Só me sinto bem no silêncio, no choro, no sono. Quero sentir-me bem à luz do dia, a sorrir. Onde andas, rapariga?

Exercício de escrever durante 3 minutos sem parar

Um amigo recomendou-me que fizesse o exercício de escrever durante três minutos sem parar, para ver o que eu escrevia, o que pensava e sentia. Como saía. Eu gostei da ideia e por isso aqui estou, a tentar algo que eu penso que vai fazer-me desbloquear alguns receios, alguns medos e algumas auto-críticas - para já bastante habituais - que podem estar a bloquear o meu canal energético e criativo que me leva a escrever por prazer. Gostava de escrever uma grande história de amor, com uma bela moral e que fizesse muitas pessoas sonharem. Gostava que fosse apreciado pela crítica, que fizesse chorar e que tivesse impacto na vida de pelo menos uma pessoa (sem ser eu)! Gostava que a escrita pudesse ser uma forma de vida para mim, sim, um pouco à semelhança de "janelas da fé", como costumam apelidar os meus gostos, isto é, coisas que sejam profundamente "clichetzadas" mas que sejam românticas, possam fazer sorrir e estejam relacionadas com pôres-do-sol. Sim, gostava que a min...

Cumplicidade

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Falas-me ao ouvido e derretes-me. O meu corpo lateja com o som familiar do teu a aproximar-se. A tua sombra adivinhada, por si só, é arrepio. Mesmo passado tanto tempo, espanto-me. Como é que a centelha se mantém acesa e tão quente! As tuas mãos conhecem-me de cor. A escuridão não as atrapalha, apenas as protege. Sinto-as navegar, despojadas de pensares e ruídos. Os meus sentidos desligados do mundo, agarrados a ti. E os beijos, os nossos beijos, que se conhecem, se dão mutuamente o que a outra metade pede. É magia, conhecer assim alguém! A intimidade, verdadeira intimidade, que cresce em vez de se encolher. A energia boa que emana de ti e do nós! Que é luz... O que partilhamos é bom demais. É tanto que não cabe em lado nenhum, a não ser no coração. Talvez o maior truque de magia na nossa relação: a nossa cumplicidade . Que não se arranja. Ou se tem, ou não. Não há nada mais seguro no mundo do que a verdade que vem no teu abraço. És o meu lugar retirado do mundo...**