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Sem espaço

Ao debruçar-me sobre o envelhecimento, sobre a mudança e sobre o tempo, questiono-me. Será que ainda vamos a tempo? De afogar medos em charcos seguros, de embalar leões com música e de enganar rumos quebrados? Será que somos mais fortes do que isso, ou é mera ilusão a possibilidade de sermos felizes não obstante o tempo, as horas e o conformismo? E não obstante também os encalços que havemos de seguir, porque os nossos pais seguiram, os mais próximos também o fizeram e os filhos dos outros o hão-de fazer também? Gostava tanto de encontrar paz no barulho, de encontrar sentido nestes labirintos de coisas e de sentimentos, de os poder separar como o trigo do joio, o que é meu e o que não é. E ser capaz de guardar o que é meu e esquecer o que é dos outros por um instante. Um instante que me permitisse arrumar, rotular e encaminhar as minhas coisas. Para poder afirmar caminho em vez de o arrepiar, como tenho vindo a fazer. Encontro prazer no cabelo lavado e macio. Encontro prazer ao saborea...

Cheia...

Apetece-me cantar. Cantar até chorar, aquele choro de criança que nos limpa por dentro como mais nada. Não quero mais ser uma criança perdida. Mas antes uma pessoa, ou uma mulher encontrada! Preciso de silêncio, cada vez mais. Porquê?! O que é que me está a acontecer, o que é esta sobrecarga, este sentimento de não suportar mais nada? Nem mais um som, nem mais uma pessoa... Porque é que só encontro a paz estando só? Estando em silêncio umas vezes, outras vezes imersa em música, mas no meu mundo? Preciso de cantar... preciso de escrever. De pôr tanta porcaria cá para fora, não sei onde é que arranjo tanta coisa para purgar!! Queria rever o meu sorriso... dizem-me que me esforce. Eu procuro, perscruto o espelho, mas nada. Como uma gaveta funda e cheia de tralha, este espelho não me devolve essa memória de mim. Só me sinto bem no silêncio, no choro, no sono. Quero sentir-me bem à luz do dia, a sorrir. Onde andas, rapariga?

Exercício de escrever durante 3 minutos sem parar

Um amigo recomendou-me que fizesse o exercício de escrever durante três minutos sem parar, para ver o que eu escrevia, o que pensava e sentia. Como saía. Eu gostei da ideia e por isso aqui estou, a tentar algo que eu penso que vai fazer-me desbloquear alguns receios, alguns medos e algumas auto-críticas - para já bastante habituais - que podem estar a bloquear o meu canal energético e criativo que me leva a escrever por prazer. Gostava de escrever uma grande história de amor, com uma bela moral e que fizesse muitas pessoas sonharem. Gostava que fosse apreciado pela crítica, que fizesse chorar e que tivesse impacto na vida de pelo menos uma pessoa (sem ser eu)! Gostava que a escrita pudesse ser uma forma de vida para mim, sim, um pouco à semelhança de "janelas da fé", como costumam apelidar os meus gostos, isto é, coisas que sejam profundamente "clichetzadas" mas que sejam românticas, possam fazer sorrir e estejam relacionadas com pôres-do-sol. Sim, gostava que a min...

Cumplicidade

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Falas-me ao ouvido e derretes-me. O meu corpo lateja com o som familiar do teu a aproximar-se. A tua sombra adivinhada, por si só, é arrepio. Mesmo passado tanto tempo, espanto-me. Como é que a centelha se mantém acesa e tão quente! As tuas mãos conhecem-me de cor. A escuridão não as atrapalha, apenas as protege. Sinto-as navegar, despojadas de pensares e ruídos. Os meus sentidos desligados do mundo, agarrados a ti. E os beijos, os nossos beijos, que se conhecem, se dão mutuamente o que a outra metade pede. É magia, conhecer assim alguém! A intimidade, verdadeira intimidade, que cresce em vez de se encolher. A energia boa que emana de ti e do nós! Que é luz... O que partilhamos é bom demais. É tanto que não cabe em lado nenhum, a não ser no coração. Talvez o maior truque de magia na nossa relação: a nossa cumplicidade . Que não se arranja. Ou se tem, ou não. Não há nada mais seguro no mundo do que a verdade que vem no teu abraço. És o meu lugar retirado do mundo...**

I believe the expression is caged (Acho que a expressão mais adequada é enjaulada)

Cheira-me que a semana vai ser difícil. Porque na semana passada trabalhei apenas de tarde, parece-me que esta semana serei propositadamente "compensada" com trabalho extra. Embora a escolha de horários nunca tenha sido minha... mas enfim. O bom (?) do trabalho por conta de outrém é que nos habitua a coluna a dobrar um pouco, causando a cada vez um pouco menos de frustração. Nariz arrebitado, sempre me chamaram. Mau génio, mau feitio. Eu chamar-lhe-ia antes síndrome vestigial da liberdade. Porque os nossos antepassados eram livres. Não tinham amarras, contratos, protocolos, moralidades excessivas, práticas habituais em sociedade ou falsos civismos. Ok, se calhar também não tinham outras coisas que lhes faziam falta, não discuto isso. Mas viviam consoante o que o corpo lhes pedia, agiam como instintivamente lhes fazia sentido e em alguma medida (nuns mais, noutros menos) isso foi-nos passado. De forma cada vez mais vestigial, claro está, porque não utilizamos muito esse dom , ...

Nada como...

... Precisar de escrever desesperadamente e não conseguir... há poucas coisas mais frustrantes!

Saber que sei isto...

Não sei o que sinto. Não bem. Nem porquê. Não queiras enganar-me... não queiras magoar-me. Sou mais forte do que pensas. E mais bonita! Se me queres e amas, fica comigo. Mima-me, cuida de mim, e acredita que eu vou cuidar de ti!! Mas se não me queres, ou se tens dúvidas, ou se há outra coisa qualquer a puxar-te, vai. Mas tem a coragem de me dizer cara a cara que vais embora. E deixa-me em paz. ***